Ma sequência de imagens de satélites mostra a trajetória dos sedimentos no Rio Doce devido ao rompimento das barragens de mineração em Mariana (MG), há quase um mês. As imagens foram captadas entre os dias 5 de novembro e 1º de dezembro pelo sensor Modis, a bordo dos satélites Aqua e Terra da Nasa, a agência espacial norte-americana. Elas foram analisadas por técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI).
“Na Região Sudeste, o período atual é caracterizado pelo início da estação chuvosa sobre a região da foz do Rio Doce, no litoral do Espírito Santo. A nebulosidade crescente pode dificultar a obtenção de imagens por sensoriamento remoto a partir de satélites, contudo, algumas dessas imagens permitiram monitorar a pluma de sedimentos”, informou o pesquisador da Divisão de Satélites Ambientais (DAS/CPTEC) do Inpe, Nelson Ferreira.
A partir das imagens Modis, foram elaborados mapas de reflectância para monitorar a pluma de superfície. As imagens dos satélites Aqua e Terra permitem observar os principais eixos de propagação da pluma de sedimentos do Rio Doce na camada superficial. A dispersão do material muda conforme as condições meteo-oceanográficas (ventos e correntes marítimas) e precisa ser monitorada a cada dia.
O Inpe ressaltou que a costa do Espírito Santo, em condições normais, já possui altos valores de reflectância por sedimentos em suspensão e somente com visitas de campo e sobrevoos é possível uma análise mais detalhada da dispersão e extensão da pluma decorrente do Rio Doce. As imagens de satélite, no entanto, ajudam a orientar as pesquisas e direcionar os esforços para as áreas mais afetadas.
Para acessar todas as imagens analisadas e o boletim completo da evolução da pluma de sedimentos, acesse este link.
Força dos ventos
A direção do transporte da pluma do Rio Doce é influenciada, principalmente, pelo campo de vento, que altera a circulação na costa através de correntes localmente geradas pela ação dos ventos ou pela chegada de ondas oceânicas.
Desde o dia da chegada da lama à costa, houve a predominância de ventos alísios de Nordeste na região. Porém, foram observadas alterações no campo de ventos ao largo do Espírito Santo influenciadas pela passagem de sistemas frontais.
Fonte: Inpe