Esta semana o rei do futebol completou 75 anos, e merecidamente foi reverenciado por todos nós que tivemos o privilégio de ver, tanto ao vivo como em filmes e documentários, a verdadeira magia de sua relação com a bola.
É absolutamente desnecessário tecer qualquer comentário enaltecendo o Pelé ou tentando descrever suas qualidades como atleta. Talvez possamos dizer que tudo que poderia ser dito a seu respeito já foi proferido por alguém.
Eu tive o verdadeiro privilégio de estar com o rei várias vezes nas últimas décadas, e garanto que em todas elas pude confirmar a verdadeira áurea desimpatia e cordialidade que ele manifesta de maneira absolutamente natural.
Em uma dessas vezes, não consegui evitar fazer uma pergunta que, como profissional da área de esporte, me sentia tentado a ter o atrevimento de elaborar.
O que eu queria saber da sua própria concepção era a respeito do que ele considerava ter sido sua melhor qualidade do ponto de vista físico. Sabemos que o talento ninguém explica, porém sua excepcionalidade como atleta certamente tinha os ingredientes qualificados por indicadores físicos. Imaginei que a resposta fosse à direção de um desses indicadores de aptidão.
Para minha surpresa ele respondeu:
– Eu considero que o que eu tinha a mais que todos os outros atletas com que eu joguei era a “visão periférica”!
Em seguida ele me deu uma verdadeira aula sobre o conceito de campo visual e sua importância para o jogador de futebol. Ele dizia com verdadeiro conhecimento de causa, que sua percepção visual periférica lhe permitia “antever” o que os adversários que o cercavam iriam fazer e consequentemente ele antecipava suas decisões, obviamente com a genialidade que a natureza lhe conferiu.
Aquela resposta, até certo ponto surpreendente, me proporcionou a chance de observar sob esta ótica vários lances das jogadas mais geniais do Pelé, e de fato comprovar o que ele explicou. Como eu esperava ele não deu uma resposta comum, como nada do que ele fazia no futebol era!
Fonte: http://180graus.com/