O projeto prevê beneficiar diretamente cerca de 230 famílias por meio de oficinas, mentorias e incentivo ao turismo de base comunitária.
O Brasil possui uma das maiores e mais biodiversas faixas de recifes de coral do planeta, mas só agora iniciou um mapeamento sistemático dessas áreas. O projeto SER Corais, contratado pelo BNDES com investimento de R$ 5,5 milhões e execução em 36 meses, vai percorrer cerca de 2.800 quilômetros do litoral em oito estados, incluindo a Bahia. A iniciativa pretende produzir, pela primeira vez em grande escala, um retrato científico detalhado dos recifes rasos brasileiros, com destaque para complexos como Abrolhos e o Parcel Manuel Luís.
Os recifes ocupam menos de 1% do fundo dos oceanos, mas abrigam cerca de 25% da vida marinha do planeta. O projeto irá monitorar cobertura coralínea, espécies associadas e a presença de invasoras, além de apoiar unidades de conservação e desenvolver protocolos de restauração. Também vai gerar mapas técnicos e relatórios científicos, suprindo uma lacuna histórica de informações organizadas e acessíveis para gestores, pescadores e pesquisadores.
Além do diagnóstico ambiental, o SER Corais prevê ações práticas de restauração, como cultivo experimental de corais em viveiros marinhos e laboratoriais, recomposição de áreas degradadas e criação de um aplicativo para alertar sobre espécies invasoras. A iniciativa integra o BNDES Azul, estratégia voltada à conservação dos oceanos, adaptação climática e fortalecimento da chamada economia azul, alinhada a metas internacionais de proteção ambiental.
O projeto ganha relevância diante do agravamento do branqueamento dos corais, fenômeno intensificado pelo aquecimento global. Em 2024, o mundo registrou mais um evento global de branqueamento em massa, e o Brasil também foi impactado. O mapeamento permitirá dimensionar não apenas o que ainda existe, mas também o que já foi perdido, transformando o debate ambiental em dados concretos para orientar políticas públicas.
Na Bahia, Santa Cruz Cabrália terá papel de destaque. O projeto prevê beneficiar diretamente cerca de 230 famílias por meio de oficinas, mentorias e incentivo ao turismo de base comunitária. A proposta é fortalecer a renda local vinculada à preservação dos recifes, fazendo com que a conservação deixe de ser apenas um discurso ambiental e se torne uma estratégia real de desenvolvimento sustentável para a comunidade.
Fonte: Por: Bahia Sul News
