A saída da família de Angelo Coronel do PSD gerou uma espécie de “demanda por compensação” para que o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, não criasse empecilhos para a sigla permanecer “livre” na Bahia. A “fatura” incluiria, segundo interlocutores, a filiação de dois deputados federais com mandato e perspectiva de reeleição. Essa é razão pela qual se iniciou uma mobilização em torno dos nomes de Cláudio Cajado e Mário Negromonte Jr., ambos do Progressistas.
Kassab teria interesse em ampliar a bancada na Câmara dos Deputados e o PSD da Bahia perdeu a cadeira de Diego Coronel com a cisão com o senador e pai do deputado. Para aplacar esse desejo do dirigente, a base de Jerônimo Rodrigues teria oferecido, então, a atração de dois parlamentares que há algum tempo flertam com o governo estadual, mas que não tinham definido o próprio futuro.
Cajado já teria embarcado formalmente na estrutura, apresentando nomes para a Agerba e para o Detran-BA, ainda que oficialmente permaneça no PP. Já Mário Jr. dependeria da nomeação da esposa, Camila Vásquez, como conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) – uma lista tríplice que está na gaveta de Jerônimo desde o último mês de agosto. Conforme pessoas próximas ao deputado, somente na janela partidária, prevista para março, o movimento seria confirmado, evitando eventuais “traições” dos dois lados.
Sem indicar diretamente o emissário, o deputado federal Mário Jr. confirmou as conversas ao Bahia Notícias através de uma plataforma de mensagens. “Teve o convite. O Podemos e o PSB também”, sinalizou o parlamentar. O PSD entraria como favorito nesse embate, já que tanto o Podemos quanto o PSB teriam efeito rebote com atuais detentores de mandato e candidatos pré-estabelecidos nessas duas legendas.
Caso confirmadas as migrações de Cajado e Negromonte Jr. para o PSD, a dívida criada a partir do rompimento entre Otto Alencar e Angelo Coronel com a direção nacional estaria quitada e a sigla continuaria com liberdade para apoiar as reeleições de Jerônimo, no governo da Bahia, e de Luiz Inácio Lula da Silva, na presidência da República.
CADEIRA NA CÂMARA
Para partidos de centro, como o PSD, o número de cadeiras de deputados federais pode ser mais relevante do que candidaturas ao Executivo ou ao Senado. A justificativa é a divisão do bolo dos fundos partidário e eleitoral e do tempo de rádio e televisão. A moeda funciona para negociações na construção de chapas majoritárias e na distribuição de recursos financeiros para candidaturas.
Fonte:https://www.bahianoticias.com.br/
Foto: Montagem Bahia Notícias /Câmara dos Deputados
